O melhor investimento! Por que cuidar do seu corpo pode ser a decisão financeira mais inteligente da sua vida.
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Aos 35 anos, com filhos em idade escolar e um salário que, somado aos benefícios, muitas vezes não era suficiente para pagar todos os boletos e ainda "sobrar" para investir, isso sem falar dos empréstimos, vivi uma realidade comum a milhares de brasileiros.
Mas e se sobrasse? Ou se eu conseguisse separar um valor para investir? Ainda precisaria decidir qual seria o melhor investimento.
Foi quando parei para pensar no que realmente valeria a pena investir. Algo que me acompanhasse pelo resto da vida e que, inclusive, me possibilitasse fazer outros investimentos. A resposta? Simples.
Eu. Minha própria vida.
É isso mesmo. Sou o melhor ativo em que posso investir, porque gera retorno no presente e também no futuro. Qual outro investimento entrega um retorno tão imediato e, ao mesmo tempo, tão duradouro?
Foi assim que comecei a enxergar meu estilo de vida como meu maior patrimônio.
Pensar em estilo de vida olhando para o futuro parece um conceito bonito, mas difícil de trazer para a vida real.
Com a pulverização do "lifestyle" nas redes sociais, muitas vezes isso soa superficial e inalcançável. Ainda existe quem torça o nariz porque acredita que qualidade de vida é privilégio de quem não precisa se preocupar com boletos.
Conheço muita gente que acredita ser mais fácil cortar alguns gastos, colocar um dinheiro em um investimento que rende mais do que a poupança ou escolher um fundo de investimento do que investir em si mesmo.
E aqui faço um parêntese. Essas atitudes são importantes em qualquer planejamento de vida. Uma não substitui a outra. Pelo contrário. Quando as finanças estão organizadas, ganhamos tranquilidade emocional. Quando a saúde vai bem, fortalecemos também a mente. Tudo está conectado. Eu já passei por todas essas fases — e por outras que não caberiam neste artigo.
Recebi o convite para escrever sobre esse tema não pelo meu "lifestyle" perfeito, nem pela dieta (quem me conhece sabe o quanto gosto de biscoito, açaí e por aí vai...), mas porque esse é um assunto que vivo martelando na cabeça de quem convive comigo.
Porque acredito. Porque estou falando de estilo de vida. De uma vida inteira investindo no melhor ativo que existe. Afinal, estarei comigo mesma até o fim.
Minha relação com a qualidade de vida se tornou intencional há cerca de dez anos. Pensando no valor que esse investimento teria nos anos seguintes, tomei a decisão de construir um novo estilo de vida, dando um passo após o outro.
Comecei cortando o que não me fazia bem. O açúcar foi um deles. Só essa mudança trouxe três quilos a menos na balança, redução dos gastos com remédios, mais bem-estar e ânimo para criar novos hábitos.
Depois, ajustei ainda mais minha alimentação. Passei a gastar praticamente metade do que gastava com alimentação, trocando restaurantes, pedidos no iFood e comidas prontas por marmitas caseiras. E uma mudança foi puxando a outra.
Passei a perceber que meu corpo respondia melhor, minha disposição aumentava e minhas escolhas começaram a mudar naturalmente. É um ciclo virtuoso, e não vicioso. Uma mudança ajuda a outra e influencia, inclusive, nossas emoções.
Como consequência, essas mudanças influenciaram também minhas decisões financeiras. O que eu economizava começou a ajudar a fechar a conta no fim do mês.
Saí do sufoco do rotativo do cartão. Com isso organizado, sentia mais paz e mais vontade de evoluir. Parei de pagar juros do cartão e do cheque especial, quitei o financiamento do carro e aquela parcela que antes pagava a mensalidade passou a ser investida.
Foi aí que veio a grande revelação: tudo era hábito. E, para virar hábito de verdade, eu precisava persistir até aquilo deixar de ser esforço e passar a fazer parte do meu estilo de vida.
Aprender novos hábitos nunca é fácil, seja na conta bancária ou no próprio corpo. Mas a boa notícia é que isso não depende da renda, da classe social, do clima ou da economia.
Como acontece com um investimento financeiro, o hábito de investir continuamente produz resultados cada vez maiores. A diferença é que, nesse caso, os rendimentos também aparecem no presente. O retorno é quase imediato, recorrente e ainda forma uma reserva para o futuro.
E, como todo investimento, às vezes precisamos fazer saques. E não foi diferente comigo.
Uma fase difícil me fez deixar o meu melhor ativo de lado por meses. Uma doença na família trouxe desgaste emocional, exigiu saques financeiros e, depois, tempo para reorganizar tudo. Descobri que, mesmo conhecendo o caminho, recomeçar nunca é tão fácil quanto imaginamos.
Depois? É reorganizar e continuar investindo. Porque investir não é apenas escolher um bom produto financeiro. É construir condições para que ele faça sentido ao longo da vida.
Passei anos tentando organizar as finanças fazendo cálculos, cortando despesas, evitando novas dívidas e procurando a melhor forma de lidar com o dinheiro. Um dia percebi que existia um investimento que eu vinha ignorando: o ativo responsável por produzir todos os outros.
Quando cuidamos da saúde, ganhamos disposição para trabalhar, fazemos escolhas mais conscientes, reduzimos desperdícios, evitamos parte dos gastos que poderiam ser prevenidos e aumentamos nossa capacidade de realizar planos. O dinheiro continua sendo importante, mas ele deixa de trabalhar sozinho.
Educação financeira também é aprender a investir naquilo que sustenta todos os outros investimentos.
E, para esse investimento, a melhor notícia é que sempre existe uma nova oportunidade de começar.
Ou de recomeçar.
Porque, no fim das contas, o bolso é um dos órgãos mais sensíveis do corpo humano.
