Eleições 2026: voto facultativo para pessoas 70+ não significa abrir mão do direito de escolher
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O Brasil está envelhecendo e a base de eleitores também. Segundo o TSE, quase 17 milhões de pessoas com mais de 70 anos estão aptos a votar em 2026. Isso equivale a mais de 1 em cada 10 eleitores brasileiros.
É muita gente. Mas existe um detalhe importante: a partir dos 70 anos, o voto deixa de ser obrigatório no Brasil. A Constituição Federal estabelece que, nessa faixa etária, o voto é facultativo. Ou seja, a pessoa idosa pode escolher se quer votar ou não, sem qualquer penalidade caso não compareça às urnas.
E essa possibilidade de escolha acaba gerando uma abstenção. Nas eleições de 2022, por exemplo, cerca de 8 milhões de pessoas com 70 anos ou mais deixaram de votar. No segundo turno, apenas 45% dos eleitores dessa faixa etária compareceram às urnas, segundo dados divulgados pela Rádio Senado.
Será que toda a experiência adquirida ao longo de uma vida não deveria fazer diferença também nas urnas?
Mas por que abrir mão de uma escolha que continua sendo um direito?
A idade muda, a voz não. Completar 70, 80, 90 ou 100 anos não significa deixar de ter opinião, vontade, sonhos ou capacidade de escolher.
Ao longo da vida, a pessoa idosa tomou decisões, cuidou de pessoas, trabalhou, administrou a casa e o dinheiro e acompanhou muitas mudanças no país. Mas a vida continua acontecendo. Novos planos, escolhas e histórias ainda fazem parte do presente e do futuro que se quer construir.
Por isso, quando alguém deixa de votar porque acredita que “já não faz diferença”, vale pensar de novo. Escolher quem vai representar e liderar o país é responsabilidade de cada cidadão, em qualquer idade.
Movimentos que lembram: a voz da experiência merece ser respeitada
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem chamado atenção para situações de etarismo que podem afastar pessoas idosas das urnas. Em relatos apresentados pelo Tribunal, idosos contaram ter ouvido que não precisavam ter ido votar. Para o TSE, a experiência acumulada ao longo da vida é um patrimônio importante para a participação democrática. Pensando nisso, criou em 2022, a campanha institucional “Voto 70+” para lembrar que apesar do voto ser facultativo nessa fase da vida, ele continua sendo um direito.
Agora em 2026, essa mobilização ganhou novos movimentos. O Movimento Voto 70+ (https://votodaexperiencia.com.br/), reúne organizações e grupos que trabalham para incentivar a participação política das pessoas idosas e chamar atenção para as barreiras que podem afastá-las das urnas.
A iniciativa também conta com um levantamento coordenado pelo data8, organização especializada em pesquisas sobre longevidade, que ajuda a dar visibilidade aos números dessa participação.
E quando falamos das mulheres 70+?
O número chama ainda mais atenção quando olhamos para as mulheres. Nas últimas eleições, 64% das eleitoras com mais de 70 anos não compareceram às urnas, segundo dados analisados pelo data8 e divulgados pela Agência Brasil.
Essa realidade também merece uma reflexão. Durante muito tempo, a política foi tratada como um assunto distante da vida das mulheres, embora decisões políticas estejam presentes em assuntos do dia a dia como saúde, aposentadoria, segurança e direitos em geral. Não existe assunto que não diga respeito às mulheres.
E depois de uma vida inteira participando das decisões da família, do trabalho e da comunidade, a mulher tem direito de escolher quem vai representá-la.
É pessoa idosa e decidiu votar? Veja como se organizar
Antes de sair de casa, vale conferir o local de votação, organizar o transporte e levar anotado os números dos candidatos. A Justiça Eleitoral também oferece atendimento prioritário e medidas de acessibilidade para pessoas idosas.
O e-Título pode ajudar: o aplicativo oficial da Justiça Eleitoral permite consultar o local de votação e acessar informações eleitorais.
Para baixar:
- Procure por e-Título na loja de aplicativos do celular (ele está disponível para celulares Android e iOS).
- Informe os dados solicitados e faça a validação.
- Consulte o local de votação e confira se está tudo certo.
Tem uma pessoa idosa na família? Veja como pode ajudar
Às vezes, não votar pode ser por uma questão prática: não saber onde é a seção, ter dificuldade de locomoção ou até achar que o voto já não faz tanta diferença.
Incentivar, ajudar a consultar o local de votação, auxiliar com o aplicativo e-Título, acompanhar a pessoa até a urna, são pequenas atitudes que podem fazer a diferença. Afinal, cidadania também se constrói em família, nas conversas e com solidariedade.
Não vamos esquecer: a experiência é bem-vinda nas urnas
Todas as gerações podem e devem contribuir para construir o país que queremos para o presente e o futuro.
Porque experiência, opinião e cidadania não têm idade.
